Rússia pretende criar base permanente na Lua

Rússia pretende criar base permanente na Lua

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Construção da base lunar em 2020-2030 é perspectiva real

A base espacial será construída em um dos polos da Lua, declarou o cientista Vladislav Shevchenko  ao portal Voz da Rússia.

Inicialmente, foi planejado colocar a base lunar no equador da Lua, mas após ter sido encontrado gelo nos polos, decidiu-se implantar uma base lá. Nós sabemos que a Lua tem reservas de titânio, de gelo e depósitos de metais, o que simplifica significativamente a tarefa de projetar a base”, disse o perito.

A Roscosmos, Agência Espacial Federal russa, já iniciou os trabalhos preparatórios quanto à argumentação da possibilidade de construção de uma base lunar.

Atualmente, na EEI (*) mal cabem os equipamentos para a realização de numerosas experiências científicas. As instalações elétricas também não são suficientes. Segundo Guennadi Raikunov, responsável pela elaboração dos programas de investigação espacial, após 2020 será preciso começar a desistir do uso da EEI e passar a utilizar a Lua. No satélite da Terra há muito espaço. Lá se pode estacionar um radar e aparelhagem científica de grande dimensão. Graças à base lunar, a Humanidade acumulará a experiência de vivência em outros planetas. Derretendo o gelo lunar será possível decompor a água em oxigénio e hidrogénio, utilizando-os como combustível para propulsores de foguetes e espaçonaves, considera o cientista.

Mas nem todos os peritos concordam com este ponto de vista. A era espacial iniciou-se há apenas 50 anos. Mesmo que a EEI funcione mais 30 anos, o desenvolvimento da ciência possibilitará novas descobertas. Quando a Rússia deixar a órbita terrestre e se estabelecer na Lua, terá de usar naves espaciais semelhantes às espaçonaves Apollo, inventadas há 40 anos para que o homem desembarcasse no satélite da Terra, constata o membro da Academia Aeroespacial Nacional, Yuri Karash.

“Não vale a pena nos enganarmos, dizendo que a construção de uma base lunar implicará a criação de equipamentos e engenhos que se distinguem muito da nave Apollo. A espaçonave Apollo 17, depois de pousar, permaneceu na Lua durante 3 dias. Este mês, completar-se-ão 40 anos desde que abandonou a Lua, tendo concluindo o respetivo programa de pesquisas. Três dias não é pouco para qualificarmos a estada da Apollo como uma base extraterrestre. Se os cosmonautas russos passarem lá 10 ou 20 dias, neste caso se trata de uma categoria quantitativa e não qualitativa.”

Diga-se de passagem que os EUA queriam regressar à Lua mas a Administração de Barack Obama desistiu de tais planos. O Presidente norte-americano delineou novas prioridades, prevendo uma visita a um asteroide em meados dos anos 20 do século XXI. Os motivos desta escolha foram adiantados pelo representante da NASA, John Charles.

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O programa detalhado do estudo da Lua para os próximos dez anos inclui dois pousos na superfície lunar, uma expedição orbital e, em perspetiva, o transporte de solo lunar à Terra. Os projetos preveem uma ampla cooperação internacional.

“Tomamos a decisão de não voltar à Lua por diversos motivos. Sem a Lua e antes do voo rumo a Marte, o pouso em um asteroide será uma pesquisa ideal. Se tornarmos a desembarcar na Lua, isto será feito da mesma maneira que em 1969.”

No entanto, uma expedição ao asteroide pode ser equiparada a um voo rumo a Marte, já que a tripulação, permanecendo no espaço interplanetário durante alguns meses, receberá a mesma dose de radiação que em caso de um voo a Marte, realçou Lev Zeleny, diretor do Instituto de Pesquisas Espaciais, segundo o qual a Lua seria um projeto preferível.

“Na Lua podem ser organizados abrigos à profundidade de 1,5 – 2 metros em que poderão viver astronautas, subindo, por vezes, à superfície. Existe material de proteção. No asteroide, ninguém sabe como proteger-se contra a radiação. Para chegar à Lua serão necessários 2-3 dias. Lá existe uma nova física interessante, bem como variadas substâncias orgânicas. Resumindo, o homem tem muita coisa fazer na Lua.”

Os cosmonautas não têm que permanecer o tempo todo na base lunar, sujeitando-se à radiação excessiva. Eles podem trabalhar em turnos, adianta Lev Zeleny. Quanto aos asteroides, seria melhor se fossem estudados por meio de sondas automáticas sem colocar em risco a vida de tripulantes.

A Rússia e os EUA já fizeram a sua opção no que tange aos futuros voos espaciais fora da órbita terrestre. Cada país buscará novos argumentos para persuadir os céticos. Todavia, em determinada altura, as discussões chegarão ao fim, visto que as potências espaciais perseguem um objetivo idêntico – efetuar, nos meados deste século, um voo a Marte. A julgar por tudo, esta será uma expedição internacional, uma vez que nenhum país poderá organizar sozinho tal empreendimento.

(*) Estação Espacial Internacional (EEI, na sua sigla em português ou, em inglês, “International Space Station“, com a sigla ISS)

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